Carta a jovem lívida

Coração mofa no peito
Virou parasita
Já não sente medo
Já não pulsa a vida.

Dói o escrever.
Desiste de tentar
Sentimentos se foram
palavras não vão voltar.

É triste então o poeta
Vive o luto do amar
esquece a alegria do sabor
já não quer o despertar.

Putrefata então o escrever
decompõe o pensar
morre o prazer
em escrever, em amar

Vem então a jovem lívida
com a ternura a transbordar
um amor que contagia
um desejo de amar

Faz renascer o desejo
não de alguém amar
escreve o poeta a ti, jovem
e faz do escrever, um brincar

Pinta então, o Poeta
um novo quadro está a riscar
usa de lívidos sentimentos
És branco seu desejar.

E a jovem adormece
Sem saber do bem que lhe faz
adormece lívida menina
que lhe emprestou a sua paz.

Publicado em: às dezembro 24, 2010 em 6:36 am  Deixe um comentário  

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